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Design Gráfico

Mundo das cores

Embora as paletas seja bastante diferentes, a cor é tão importante para o profissional de design, como o é para artista. Para um, um matiz pode ser único e de impossível catalogação, para outro, nada mais do que uma simples referência. O designer gráfico de hoje é um técnico das cores.

A cor não é facilmente apreensível pela nossa percepção. Embora ela seja indiscutivelmente real para nossos sentidos, a mente humana pode parecer resistir a conceitua-la. Desde tempos imemoráveis, para designar cores procuramos apoio naquilo que é material e concreto. Na língua francesa, o marrom nos remete às castanhas de mesmo nome; a origem da cor laranja é óbvia; o “azul” é originário de um antigo termo persa usado para designar o lápis-lazúli.

É provável que tanta indeterminação tenha revestido as cores de nosso planeta de poderosos valores simbólicos, geralmente alheios a qualquer tipo de associação racional. O branco, símbolo de pureza nas aldeias espanholas é, no Oriente, sinal de dor e de luto. Ali, qualquer noiva se veste de vermelho no dia do seu casamento mesmo aquelas não comunistas.

Na Espanha, o azul é uma cor de rancias reminiscência fascista. Na bandeira brasileira , p azul é uma cor que representa o céu do país, já em outros países essa mesma cor representa a quinta-essência da tristeza e do dilaceramento, sentimentos musicalmente expressos no blues. Na época barroca, o azul estava relacionado às demonstrações de ciúmes. Para os espanhóis o verde é a cor de piadas sutis.

“A luz gera a cor. As cores brilham de maneira diferente sob a luz do inverno londrino e sob a explosiva luz do Mediterrâneo. A bruma dos países frios produz cores impressionantes. Os fortes contrastes entre claro e escuro, características dos países mediterrâneos, delineam perfeitas forma cubistas. O mesmo acontece com as palavras. As línguas de origem latina possuem vários termos para qualificar o amarelo: creme, ocre, alaranjado, amarelo limão, etc. Por outro lado, dispomos de apenas um termo para designar a cor branca. Os esquimós, ao contrário, reconhecem várias tonalidades de branco. De acordo com suporte utilizado, podem-se obter matizes diferentes para cada cor. Entretanto, todas as cores são belas. E quanto mais, melhor”
– Mariscal

O amarelo faz alusão à amargura e à doença; está também associado à cor de bílis; isso talvez justifique o fato de a história ter marcado essa cor com várias conotações negativas: foi a cor do leproso e distinguia os judeus nos cruéis campos de concentração. Entretanto para os brasileiros, a cor relacionada com anedotas picantes e obscenas é o vermelho.

Já o amarelo da bandeira do nosso país representa o ouro a riqueza. Bem mais banais, mas não menos importantes, são as associações  mais próxima: o azul com a água fria; o verde com a maioria dos produtos para limpeza de pisos; o vermelho dos semáforos com a imediata obrigação de parar. Outras cores, espontâneas ou impostas, sucedem-se uma às outras, tornando-se ou deixando de ser convencionais: enquanto o rosa e o azul parecem não funcionar como códigos identificadores de meninas e meninos, as cores das tampas das garrafas de leite passaram a conter muitas informações do próprio texto da etiqueta, pois elas nos permitem identificar se o leite é integral, desnatado ou semidesnatado.

A cor carrega uma densa bagagem cultural, de tradição milenária e efeitos imediatos que não são, nem poderiam ser, alheios ao objetivo de desenho. Depositária dessa história cultural e repleta de informações, para o profissional de design a cor é um veículo de sentimentos e crenças, com imensa capacidade expressiva, porém, ao mesmo tempo bastante arriscado (se usada isoladamente ou combinadas entre si) quando se almeja um resultado eficaz e amplamente comunicativo. Por exemplo: o preto, extremamente elegante no design de moda, pode ser uma cor traiçoeira quando se tenta transmitir determinado conteúdo, e a impecável limpeza do branco no projeto gráfico pode arruinar qualquer perspectiva de sucesso de um cartaz.